Disse Jesus: "Eu sou a luz do mundo: quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" LC 8:12

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sábado, 28 de janeiro de 2012

O apóstolo da exortação

No palco da vida existem protagonistas e coadjuvantes. Alguns personagens sobressaem e alcançam fama. Outros, por motivos diversos, permanecem à sombra e são esquecidos pela história. Na Igreja cristã não é diferente. No cristianismo primitivo, duas pessoas se destacaram na missão: os apóstolos Pedro e Paulo. A partir do apóstolo Paulo e de seus escritos surgiram teologias que influenciaram e continuam influenciando Igrejas até o dia de hoje. Mas pouco se lembra de uma pessoa que  pode ser considerada responsável pelo “sucesso” de Paulo e, além disso, pela unidade da primeira Igreja cristã: José, mais conhecido pelo cognome de Barnabé, o “filho da exortação”.
José era um levita natural do Chipre, que vendeu sua casa em Jerusalém para juntar-se à primeira comunidade cristã da cidade (Atos 4.36s). O seu apelido deve provir dessa época. Talvez Barnabé tenha demonstrado o dom de consolar ou exortar seus colegas e irmãos, ajudando a construir a compreensão entre os jovens e entusiasmados adeptos da nova fé.
Exemplo disso é um episódio relacionado com o primeiro encontro de recém convertido Paulo com os líderes da comunidade de Jerusalém (Atos 9.26ss). Nenhum membro da comunidade cristã gostava de Paulo por causa de seu passado como perseguidor dos cristãos. Barnabé foi o único que ousou apostar em Paulo; ele intermediou o primeiro diálogo entre Paulo e os apóstolos de Jerusalém. Buscou, assim, incluir e integrar o “estranho” no grupo. Teve sucesso apenas parcial, porque havia pessoas que queriam matar Paulo, de modo que o apóstolo teve que afastar-se.
A capacidade de intermediar e promover o diálogo certamente foi também um dos motivos pelos quais Barnabé foi enviado para organizar uma comunidade recém criada na cidade de Antioquia, na Síria (Atos 11.19ss). O texto bíblico diz: “Tendo ele chegado e vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (Atos 11.23s). O texto não diz muito sobre a metodologia que Barnabé utilizava em sua tarefa de organizar e orientar a comunidade. Parece, no entanto, que teve relativo sucesso em Antioquia.
O texto afirma, então, algo surpreendente: Barnabé foi buscar Paulo em Tarso. Não sabemos o que Paulo fazia em sua cidade natal. Estaria ele desiludido com a falta de receptividade por parte dos cristãos de Jerusalém que queriam eliminá-lo? Teria ele desistido de anunciar o evangelho de Jesus Cristo? Não sabemos. Mas podemos imaginar-nos que, se Paulo tivesse ficado em Tarso, sem ter sido desafiado por Barnabé a assumir uma nova tarefa, talvez não teríamos uma Igreja cristã como a temos hoje. Barnabé tira Paulo de seu ostracismo e estimula-o a aceitar novos desafios. Paulo aceita e convive com Barnabé durante um ano inteiro em Antioquia. Os resultados foram surpreendentes. Houve muitas adesões à jovem comunidade. Os seus membros foram chamados, pela primeira vez, de “cristãos” (Atos 11.26). Provavelmente Barnabé também foi responsável pela coordenação da primeira viagem missionária que realizou com Paulo e que iniciou na ilha de Chipre, a terra natal de Barnabé. Talvez também João Marcos tenha sido motivado por Barnabé a participar da obra missionária e acompanhar Paulo.
Por ocasião da segunda viagem missionária, Barnabé e Paulo se separam por causa da rigidez de Paulo, que não quis dar uma segunda oportunidade a João Marcos. Nesse episódio, revela-se, uma vez mais, a postura de intermediação serena adotado pelo “filho da consolação”.
A história posterior valorizou bem mais o legado de Paulo do que o de Barnabé. Não conhecemos a história posterior de Barnabé. Nos anos 56/57 ainda estava ativo, como se depreende e 1Co 9.5s. Bem mais tarde, foi considerado o apóstolo de Chipre. Dois escritos são atribuídos ao personagem: a Epístola de Barnabé (entre 80 e 120) e o Evangelho de Barnabé (século XIV). Curiosamente esse último escrito foi influenciado por muçulmanos, o que revela o apreço com que o Islã vê o apóstolo da intermediação, do estímulo e da exortação.


( Nelson Kilpp- Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana. Texto cedido pelo autor, publicado na Revista Novo Olhar – Número 32, da Editora Sinodal).

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