Disse Jesus: "Eu sou a luz do mundo: quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" LC 8:12

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

RETRATOS - Baruque, o bendito


Seu nome, “bendito”, prenunciava uma vida feliz e plena de realizações. Nascido no seio de uma família respeitada e de grande projeção social e influência política na antiga Jerusalém, capital do Reino de Judá, Baruque podia, de fato, ser considerado uma pessoa abençoada: recebera estudos aprimorados, reservados aos filhos da nobreza, e tornara-se um escriba, uma profissão muito respeitada e lucrativa naqueles tempos em que pouquíssimos sabiam ler e escrever. Em suma, tinha conhecimentos, ascendência e relações suficientes para galgar os mais altos postos do governo de Judá, tal qual seu irmão Seraías, pessoa da máxima confiança do rei Zedequias (cf. Jeremias 51.59). Mas os tempos politicamente incertos e conturbados, e particularmente sua amizade com um personagem bastante controvertido na época – o profeta Jeremias –, mudaram radicalmente a história desse escriba.
Baruque é mencionado, pela primeira vez, em Jeremias 36. Ali se diz que ele escreveu num rolo de papiro uma mensagem ditada pelo profeta e depois a leu ao povo reunido no templo. Isso porque o próprio profeta estava impedido de transmitir pessoalmente a mensagem. Essa mensagem causou um impacto tão grande, que o texto foi confiscado pelas autoridades e o escriba interrogado por altos funcionários da corte. O texto foi queimado pelo rei ostensivamente no fogo, e Baruque foi aconselhado a esconder-se, juntamente com o profeta Jeremias, porque haviam provocado a ira do rei. A influência do escriba junto aos funcionários da corte certamente contribuiu, naquele momento, para evitar que Jeremias fosse encontrado e morto.
Treze anos depois, quando Jeremias estava preso por causa de suas profecias e o exército babilônico cercava a cidade de Jerusalém, o profeta novamente chama Baruque e dá-lhe a incumbência de lavrar a escritura de um campo que Jeremias adquirira de seu primo (Jeremias 32). A compra do campo simbolizava, naquele momento em que tudo indicava que a cidade seria destruída e o povo disperso, a esperança de uma vida nova e abençoada em Judá para a época após a destruição de Jerusalém. Baruque ficou incumbido de guardar a escritura como prova de que Deus proporcionaria dias melhores a seu povo no futuro. Assim, o escriba torna-se o guardião da mensagem de esperança do profeta.
Também por causa desse seu vínculo com Jeremias, um homem perseguido e ameaçado, Baruque teve que abdicar de uma carreira promissora. Em Jeremias 45, o escriba lamenta: “Ai de mim! Estou cansado do meu gemer e não acho descanso” (v. 3). Também o profeta Jeremias não vê um futuro brilhante para seu amigo ao vaticinar: “Diz o Senhor: A ti, porém, te darei a tua vida como despojo onde quer que fores” (v. 5). Baruque somente conseguirá salvar sua vida. Nada mais.
Depois da destruição de Jerusalém pelos babilônios, Jeremias e Baruque são arrastados contra a sua vontade para o Egito. Nada sabemos sobre os últimos dias de vida de Baruque. Presume-se, no entanto, que ele tenha sido responsável por escrever grande parte do atual livro de Jeremias, em especial as partes biográficas sobre o profeta. As anotações de Baruque sobre os acontecimentos em torno da atuação do profeta representam seu maior legado. Graças a esse “abençoado” escriba, sabemos preciosos detalhes da vida de um profeta de Israel. Baruque desistiu de usar sua pena em seu próprio benefício para preservar a mensagem e os momentos importantes da vida de um homem de Deus.

Nelson Kilpp é especialista em Antigo Testamento, obreiro da IECLB. Texto cedido pelo autor e publicado pela Revista Novo Olhar nº 34. Editora Sinodal. 

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Uma benção antiga.

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